café e dores

café e dores

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Se for para morrer que seja

Se pudesse ser salva, 
Optaria por vulcão encarnado 
Em breve sonho,
Não por motivo de fraqueza 
Desgovernada,
Sinto alcance absoluto 
Por sutileza de abandono

Em restante subiria
Altares e por alívio os pulmões 
Feito discos usados, 
Me rumariam devido 
Envio de sinais restaurados 

Brinde à jornada 
Alardeada pelo suor da vista,
Assim a caminhada surtiria 
Efeito aqueles à busca,
Sem que o saiba,
Faísca 

Assim desejaria, mais um dia,
Mais quente, mais fogo
E todas as histórias,
Acima dos papéis tostados,
Vultos, alardes, Cinzas 
Brevemente engoliriam 
A cor da vida 

Assim quereria estar viva,
Lambida de chamas,
Afoita e fervente,
E deitaria solene 
em pleno ardor,
É por morrer de amor 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

transitivo

pego o caderno
e disparo
contra o efeito
do silêncio
que a multidão invoca

feito como se
no punho
portasse uma arma
uma droga
pra curar a violência
dos medos instantâneos

em curso
os faróis
imunes de sentido
acusam os classificados
me sinto heroína -
certamente
devaneio

nas laterais
do retrovisor
a vida vai correndo
a certos kilômetros
de distância
de algum lugar
que a gente procurou
e acho
que ainda mais
perdidos
mais ilhados

guardo o caderno
e com as mãos
livres feito folhas
de bananeira
dirijo à boca
um sorriso
não há motivo
a paz se instaura

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O momento é quem vai falar

fumar um cigarrinho encostada no muro a modo de alongar 
o tempo e prender o pensamento

e penso no que pensaria se não fosse a cor do céu de manha

empurro a grade, aceno ao porteiro 
que veio do norte também 
que agora conversa com minha mãe 
e me acena com os olhos também

subo os degraus ao lado da janela iluminada de marrom, 
primeiro andar é só tocar a campainha, 
aguardar em silêncio, 
suspirar faz barulho demais.

Olá boa tarde eu estou bem, quer dizer, acho que desassossegada

O que é isso?

Me diga por favor que se estou maluca é melhor correr

Observo os olhos a janela 
e aceitaria mais um cigarro 
mas não peço que abra

Deitada me vaga o que ia dizer

Mas sei lá


*boogarins - 6000dias

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Recorde

Dos pontos da língua
alcançado depois 
daquele encontro 
de pernas
os lábios 
sua mão em meu músculo 
Em pasmo achei que tivesse ouvido a paz surfando na boca
Eu agradeço suas mãos de Vênus
Os mares no ouvido 
Alcanço o templo da calma 
na ponta da boca 
Seus lábios 
Repetidas vezes