café e dores

café e dores

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

quando alcanço o patamar
mais alto da minha insensatez
você me mostra o chão
e rasteja meu corpo
respira fundo
e invade meus pulmões
(...)

troco as linhas
e remendo meu troféu
já não se plantam Flores
mas acho que a primavera
ainda anuncia chegada
pode ser que chova
Serei eternamente uma cascata na terra poesia
De paixões corri como se foge da tempestade como a natureza castigando a própria terra
De leveza das asas dos anjos e dos chifres dos bodes um amuleto um afago no cangote que o tempo reservou a mim
Pouco sei das folhas que verteram acesas no quintal da infância inscrita no verão do meu sorriso
Mas aguardo no Brasil terra árida e mestiça que tanto amei no presente
Serei eternamente esse chão que me cobre de melosidade
Os nomes adicionados ao dicionario as missas deuses extraterrestres
Corri das baratas de fobia de amor como se fossem elas assustadas
Assisto as novelas pessoalmente
Leio beiços e gestos grandiosos
Corri ao mar ao tentar morrer e boiei como sereia o meu castelo foi de areia os reis serviram meu café as massas além dos pratos andavam ao meu lado feito se fôssemos todos cozinhar
Serei eternamente essa terra bendita sois esse chão que pisas essa areia do castelo
(...)

Venho a nós sem medo

o coração hospedando as dores de barriga as águas as cores
um coração pequeno
tão pequeno
mal cabe o poema
mal cabe a cor do mapa
dos líquidos as capas
o coração citado nas prateleiras nas colunas nos montes
Oh baby a vida vai te ensinar
o coração soca o corpo
as veias sabendo quem tu és o que procura
bom poder sair de manhã e chá entrar e sair
saber a hora de dormir
mesmo o coração não dormindo
aprendi a fechar os olhos
sob as mãos uma borboleta ensaia o pouso a morte e alegria
as vezes fui
as vezes vou e não voltei
as vezes fico
tenho certeza que a praia ao longe existe e bate
e há um lugar tranquilo pairando feito os olhos

sábado, 6 de janeiro de 2018

acordei fumando um cigarro
ouvindo sua voz e o violão
the sky os pássaros
"hoje tem muita nuvem pra ir até a praia mais próxima"
suor ao redor do peito
as histórias de um planeta atordoado
gratidão por mais um dia
por você tocando a mim
enquanto toca o violão
"preciso entregar o trabalho"
talvez não seja hoje
o avião indo através de outro destino
além de nós só nós
tudo vai se acertar
acordei e a cidade também

19.12

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

fragmento

a poesia urge como um leão perdoando a si mesmo
e as liberdades batimento confuso as rosas delicadas. verão ardido
a poesia feito sintoma
batendo
a poesia balé das asas
sorriso afobado da criança que nasceu tarde demais
o sol surgindo
a noite surtando
a poesia pré desfeita
a poesia...
tão delicada o impossível
a poesia que conheço por ser.
desconhecida
e por nós desvanecido no caso de correr o risco
a poesia feito desfazer
tudo íntimo e desmedido
é quando acorda o cisco a lágrima
o descanso merecido
a poesia abrigo
por motivos
na ausência disso ou aquilo
a poesia isto 
enquanto insisto
a poesia vívido
existo
a poesia arrancando gemido enfiando
-
grito
é quando a gente deita e esquece de dormir mas sonha é lindo
quando o rosto inclinado recebe um beijo boa noite.
a poesia despedida

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Desenhando por do sol

Foi preciso poesia pra ficar inerte
de um vazio que parece fome,
e foi bastante até cansar poeta

Precisou de flores pra fazer perfume
em uma cidade cor-de-prata,
pouco rica

Com páprica e torta de maçã o que era amargo
virou beija-flor, sedento e eufórico
docinho, para suportar um pôr-do-sol sem chorar
(pois o choro vinha salgado)

E com arte moldou-se um abraço calejado
se desenhando e dançando por entre dedos
com bolhas de tantas tentativas incansáveis de reinventar amor
(o amor existe porém não dura mais que horas)

Quem não vive arte desiste
sobrevivendo de esmola

(2013)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

sonâmbulos

Oh se estamos tão cansados
(no intervalo das programações)
a vida vai arrastando
de trás pra dentro
enfiando tudo
de uma só vez
pra ver se nos cabe

E assim
como por acaso
o sol surge
timidamente nítido
o suor acompanha
o punho
e o rosto côncavo
inclina-se pra fora

Então os mares
em revolta
vingam as ressacas
os bondes passam
a nuvem treme
quase esquecemos da morte

Mas estamos cansados
e o corpo cobra
as contas cobram
os telefonemas
as transmissões,
mas é isso
a gente
tenta tanto
e sente muito
novamente

No entanto,
costumamos brindar
o fim do dia
de alguma forma
o corpo paira
os olhos indicam escuridão

As notícias notam
a gente distraído
fora as outras vozes
tomando posse
de uma manifestação
tudo entorno decrescendo
das falências institucionais

Ainda falaram
sobre a banalidade
do poema
no mundo
como quem decerto
despreza o mundo

Ah se estamos
tão cansados
mas o dia quase
como um sonho (acorda)